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16 novembro, 2005 

Cartas para alguém nunca existiu...

Porque será que tantas vezes somos melhores seres humanos através das palavras? Esta serei mesmo eu? Ou apenas o delinear de um livro que um dia escreverei mesmo que seja somente para mim? "Treinei" anos a fio, anos e anos de escrita em papéis que escondia para que não me lessem a alma, para que não troçassem de mim, "que mania que tens de estar sempre a escrever essas coisas tão fúnebres..."

Era o meu "escape", a única forma de me soltar. E ao fim de uns minutos de raiva escrita respirava melhor. A música por vezes tem esse poder sobre mim, mas é mais raro. E os papéis andam sempre comigo para que nem sentada no comboio sinta o tremendo tédio do vazio.

Nunca fui de estar quieta, o que não deixa de ser espantoso dada a minha preguiça inata. Mas a minha mente tem que estar constantemente em movimento. Talvez não saiba estar só. Já me acusaram de tal e penso que com toda a razão. Não teria jeito para meditar e um dia percebi que o amor escrito é fascinante, leva-nos a um limbo estranho entre o real e algo que ultrapassa tudo. Talvez não a todos, talvez apenas a mim... Não sei. Foi como se entendesse aquilo a que chamo "o outro lado" e esse amor de que falam quando se morre.

Acredito que te possa fazer falta neste momento essa ternura que lês em mim (e não só a minha) enquanto o teu frigorífico se mantiver sem vida, a luz não estiver acesa ao chegares a casa.

Colecciono vidas e se não vivi tudo, conheço demasiadas histórias.
O meu encaixe emocional (demasiado frágil) não me permite continuar a escrever como Ana no teu cantinho... a Sofia fá-lo-á por ela, talvez não no mesmo tom, talvez num outro formato.
Não tenciono fugir, não depois das tuas palavras, por mais medo que tenha, e olha que tenho imenso...

Tenho saudades do mar, assim, no silêncio que me descreves. Sinto a tua falta nos momentos em que não existes. Quero que me abraces, me agarres e puxes para o teu colo porque quero beijar-te e deixar de saber onde estou, sentir-te e ver apenas o teu rosto. E se eu não soubesse que sou feita de sangue e carne, de passado e presente, de amor e sofrimento... dir-te-ia baixinho, novamente... Amo-te.

Querida Papillon
No colo de quem não existe, num beijo que não acontece, amando quem já partiu... Sonho de borboleta, que só dura um dia, esperando que seja de sol.
Esta carta dopassado parece tão presente, que ele só a receberá no futuro, quando existir...
Um beijo nosso
Daniel

J’enrage de ne pas pouvoir gommer ta souffrance ou combler le vide que tu ressens, toi qui nous dévoiles ton âme d’immense pureté.
Reste Ana, ne te dédouble pas, ne désespère pas, ton prince charmant est quelque part là-dehors qui t’attend.

Agradeço a visita e o elogioso comentário. Por que será que tenho a sensação que te conheço? Ou não? :)
Belíssimo post o teu. Adorei!

Beijinho doce para ti.

Senti demasiado este teu lamento para o poder comentar...
Aliás, nada há a comentar. Apenas a mágoa emerge da partilha por bem querer.

o manu é o recém-avô?
Já lá fui e comentei....

§(~_~)§ beijo da Afrodite
(uma carinha d'anjo num corpo espectacular, com tudo no sítio, muito dentro do prazo, sem aditivos nem silicones)


Nota de rodapé: Gostei do blog, muito, e achei excelente o título que elegeste: o segredo das borboletas.... porque borboleta de asas livres te quero ...

Gostei muito desta carta.
Não consigo dizer mais nada. Sinto-a demasiado.
Beijo.

Minha querida, ninguém há-de ensinar
Uma frágil borboleta a voar liberta
Quem nasceu alado há-de sempre voar
Terá a porta do mundo sempre aberta

Ser radioso que no azul voarás
Retoca bem o tom das tuas cores
Vem, voa livremente e sentirás
Cair uma a uma as tuas dores.


Para ti, com um beijo

Uma outra imagem, um diferente grafismo, o branco neve a sufocar, mas a mesma sensibilidade. Parabéns por este novo espaço.

Obrigado pela visita.
Felicidades para este seu lindo trabalho.

A borboleta é outra forma da fenix...

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Papillon
Eu...


Será sempre
uma outra
forma de comunicar
uma outra
forma de estar
Raquel V.